Um blog de Filipe Figueiredo

domingo, setembro 18, 2005

A campanha baixa anti-cavaco

" "o grande objectivo do BE é derrotar a direita" " http://dn.sapo.pt/2005/09/04/nacional/candidatura_francisco_louca_e_para_l.html

É este o objectivo à esquerda. Enfim...

A campanha baixa anti-cavaco

" A convenção era autárquica e a sua preocupação as eleições de 9 de Outubro, que "não são as mais favoráveis" para o socialistas, mas Almeida Santos não resistiu em fazer, no discurso de abertura, uma incursão às presidenciais - em Janeiro de 2006 - e a "um virtual futuro candidato" a Belém.Esse hipotético candidato "gaba-se de ligar muito pouco aos partidos e de se interessar muito pouco pelos partidos", diz o presidente do PS, avisando que "Salazar subscreveria esta afirmação". "Duvidemos sempre", apela, referindo-se ainda, sem o nomear, a Cavaco Silva, "dos que se dizem democratas, mas não gostam dos partidos, porque não há democracia sem partidos nem fora dos partidos". "


Esta comparação demagógica vinda do presidente do PS diz muito da campanha que se avizinha.

sábado, setembro 17, 2005

Nem mais.

"Ressentimento eterno
José Manuel Fernandes
Justificar a destruição selvagem das sinagogas dos colonatos desocupados é de uma intolerância cega
Quando o sultão turco-otomano Maomé II conquistou Constantinopla, em Maio de 1453, quis consagrar a sua vitória entrando a trote, no seu garanhão branco, pela catedral de Hagia Sofia, a Igreja da Santa Sabedoria, símbolo maior do esplendor bizantino e da arquitectura da grande cidade. Fez hastear a bandeira verde do profeta no alto da sua cúpula e, depois de a despojar de mosaicos e ícones, acrescentou-lhe quatro minaretes e fez dela uma grande mesquita. Ainda hoje quem visita Istambul não deixa de passar pelo templo, que Atatürk dessacralizou e tornou monumento aberto a todos, de todos os credos ou sem qualquer credo.É impossível deixar de recordar esta história, quando lemos as descrições dos vandalismos a que os palestinianos se entregaram, quando entraram nos colonatos abandonados pelos judeus na Faixa de Gaza e se emprenharam em destruir as sinagogas que lá tinham ficado. Era necessário fazê-lo? Claro que não, mesmo que não houvesse qualquer intenção de as transformar em mesquitas. Mas a forma como esses espaços foram profanados, pilhados, incendiados e derrubados não deixa de recordar a forma como, nos anos 30 e 40 na Europa nazi, e nos séculos anteriores nos países onde reinava a Inquisição, se procedeu: o objectivo foi sempre o de apagar qualquer vestígio judeu. Paradoxalmente, no entanto, alguém que se intitula como um activista dos direitos humanos, mas destila ódio em quase todas as suas palavras, o advogado palestiniano Raji Sourani, considera que o que aconteceu foi por opção de Israel. "Israel queria mostrar os patifes dos palestinianos a destruir as sinagogas", disse em entrevista ontem ao PÚBLICO. O facto de os israelitas terem decidido não destruir os seus locais de culto - da mesma forma que não destruíram as culturas agrícolas e as estufas - era por ele interpretado quase como um acto de guerra. A certa altura interrogava-se: "Quem vai rezar nelas? São edifícios vazios, sinagogas porque os colonos lhes chamavam assim." Se a linguagem não fosse a da intolerância com um só sentido, seria caso para responder: rezariam nelas os que entendessem haver no futuro Estado palestiniano pluralismo religioso, tal como hoje árabes israelitas rezam nas mesquitas que existem em Israel. E eram sinagogas porque haviam sido consagradas como tal. Imagina acaso Raji Sourani como reagiriam os muçulmanos se alguém se referisse assim a um seu lugar de culto? É certo que a decisão de Israel de retirar unilateralmente de Gaza cria perplexidades em alguém que classifica os colonos - todos os colonos, mesmo as crianças - como "criminosos de guerra". Quando não se entende o sentido de palavras com uma carga tão pesada, é natural que se considere que "a ocupação de Gaza continua nas suas formas jurídicas e físicas", apesar de não haver um só soldado israelita nesse território e de as fronteiras com os Egipto terem sido totalmente abertas. Escancaradas mesmo, como as reportagens que temos publicado mostram. Pior: atitudes como esta, que retiram toda a responsabilidade de cima dos palestinianos, que consideram que não ocorreu nenhum avanço, que atribuem a culpa de não haver eleições democráticas nos territórios aos europeus, que consideram que todos os que celebraram o desmantelamento dos colonatos são "estúpidos", são as atitudes de quem se desresponsabiliza do seu futuro. Ora esse é o drama de muitos palestinianos: culparem-se os outros, sempre os outros, desde os israelitas até aos que os ajudam financeiramente; verem em tudo uma conspiração sinistra; e fazerem o papel de eternas vítimas, capazes de escolherem viver décadas em "campos de refugiados" sem nada fazerem por um destino diferente.
" 2005-o9-17

sexta-feira, setembro 16, 2005

Mas qual é a novidade?

"...a explicação - e desde logo a antecipada desculpa - dos despautérios de Morais Sarmento, então certamente mais tentado pela assídua frequência do Casal Ventoso do que pela visita a boas livrarias, umas horas de biblioteca ou até, se calhar, pela simples leitura de jornais. "

ver artigo inteiro em : http://ps.parlamento.pt/?menu=opinioes&id=2346&leg=IX

A arrogância do Dr Carrilho já não é uma novidade. Aqui fica um bom exemplo. É claro que na altura (2002) Morais Sarmento também não foi nenhum menino do coro e pautou pelo politicamente baixo. Mas para quem viu ontem o debate na SIC notícias é notória a atitude irritada e a roçar a má educação desde o primeiro minuto em que começou a falar.

quinta-feira, setembro 15, 2005

" Tenham medo, muito medo
por rui camacho JORNALISTA


Toda a gente tem informações privilegiadas sobre o que pensa Cavaco. Só assim se explica que Jerónimo de Sousa, Francisco Louçã e Mário Soares se multipliquem em declarações sobre a necessidade de derrotar Cavaco, o único que ainda não é candidato. À esquerda, aliás, vai uma discussão interessante e até académica para determinar se as candidaturas de Louçã e de Jerónimo de Sousa são ou não úteis para que Soares possa derrotar Cavaco logo à primeira volta ou apenas à segunda. Mas o objectivo está definido à partida derrotar Cavaco. Há um imperativo categórico em toda a esquerda moral ou política: derrotar Cavaco. Esse é o objectivo principal. Não há outro, pelo menos que se vislumbre. Mário Soares, que começou por dizer que Cavaco seria um bom adversário, com quem até gostaria de debater, inclinou-se já para a posição mais radical Cavaco não tem perfil para presidente da República. Ora, quem não tem perfil para presidente a República também não terá perfil para candidato à presidência a República, suponho. Não vale a pena concorrer. Cavaco mete-lhes medo. Cavaco, que ainda não se apresentou como candidato, é o monstro da democracia. Mais do que isso Cavaco ameaça-a; ele não tem o "perfil humanista" que é necessário para exercer o cargo, não tem atrás de si a corte nem a legenda de intelectuais que fazem de um candidato a Belém um eleito em Belém. Mais: ele sofre desse defeito terrível que transforma um candidato a Belém num monstro sem eira nem beira - sabe economia, a ciência mais desagradável entre todas; ele sabe de finanças, o que até Jesus Cristo recusaria e recusou (invocam-se os poetas quando eles servem para provar o que nos favorece). Cavaco não tem "pedigree". É um homem que habitou a vivenda Mariani, na fantástica Boliqueime algarvia, onde teve o descaramento de nascer. Estão a rir? Ah, mas isto é o que pensam a esquerda e a direita bem-educadas que vêem no homem de Boliqueime o representante daquele horror que povoou Portugal nos anos 80, distribuindo dinheiro e falando duro, sério, às vezes implacável. Esta ideia de que Cavaco é um simples, uma espécie de Calisto Elói camiliano, que, em vez de sair de Miranda do Douro, sai da sua sala de estar cheia de molduras com recordações familiares, é, evidentemente, falsa. Mas corresponde ao desenho conveniente para que os candidatos do bom gosto enfrentem um Cavaco que não foi escolhido para apresentar, em livro, publicamente, os poemas da sua vida. Sim, Cavaco é o inimigo a abater, uma espécie de devorador do regime; mesmo que nada nos autorize a citá-lo como o Átila que venha a esmagar as instituições, a Constituição e o regime.Com esta nova declaração de Mário Soares, a de que Cavaco "não tem perfil", a de que "o gajo" não tem um "perfil humanista", está definido o campo. Ou seja dos três candidatos, com excepção de Francisco Louçã (que falou sobre o assunto), ainda não sabemos o que querem exactamente, a não ser isto: derrotar Cavaco.Com tantos ataques a Cavaco, mesmo antes de Cavaco Silva aparecer como candidato, de ele dizer ao que vem - se vier -, não sei se não valerá a pena prestar atenção à figura do homem das finanças e saber por que é que ele provoca esta urticária generalizada nas grandes províncias portuguesas. É assim que se constrói uma figura, aliás designando-a antes de ela se tornar visível.

Francisco José Viegas escreve no JN, semanalmente, às quintas-feiras. "

quarta-feira, setembro 14, 2005

"A anedota do ano
«Soares não tem perfil para presidente», diz Marques Mendes. Há momentos em que mesmo pesssoas sensatas perdem a noção do ridículo.
[Publicado por vital moreira]
13.9.05 " http://causa-nossa.blogspot.com/2005/09/anedota-do-ano.html



" PresidenciaisMário Soares diz que Cavaco Silva não tem perfil para Presidente 14.09.2005 - 09h22 Lusa

"No meu entender (Cavaco Silva) não tem perfil para Presidente da República e não tem a formação humanista que deve ter um Presidente de Portugal", afirmou Soares à Rádio Alfa. "" Jornal Público 14-09-05

Há momentos de anedotas há. E este foi mais um. Será que Vital Moreira também acha que Mário Soares perdeu a noção do ridículo ?

quinta-feira, setembro 08, 2005

Só falta culparem o Presidente americano por haver tufões, terramotos e vulcões. Umas semanas atrás os antis da américa (e os meios de comunicação) estavam à procura da oportuninade de berrarem se um eventual desastre do vaivém Discovery tivesse ocorrido. Ah! Foi quase quase, mas não aconteceu ( penso que muita gente gostava que tivesse acontecido). Mas nem foi preciso esperar muito pois o vendaval veio logo a seguir. Que sorte hein?!... E não se pode falhar estas oportunidades.
Pode ser que não seja (é o caso) um entusiasta do actual presidente americano, mas desde a segunda guerra do Iraque que se faz uma campanha desonesta contra os Estado Unidos. Fala-se da quantidade de desempregados que começaram a haver quando Bush chegou ao poder até à época das eleições. Mas agora, que a taxa de desemprego nos EUA baixou , o que é que isso interessa? Houve tropas dinamarquesas que praticaram torturas nos presos. Não eram os americanos por isso a notícia não era uma página com título em bold tamanho 42 na pagina 1. Era só uma notícia de 4 pequenas linhas em que os soldados tinham ido a julgamento. Decidiram ir com as tropas à Jugoslávia nos anos 90 (sim , nem 50 anos chegaram para termos outra guerra no nosso território). E a Europa quietinha. Continuam a ter as melhores universidades, como ainda esta semana se voltou a verificar. Continua a ser um dos melhores países para viver e trabalhar. Basta ver que a maior parte das pessoas do programa Contacto do Icep escolheu(1º lugar) os EUA como destino: http://www.contactoicep.icep.pt/pt/ns0/ta126/s1/ta.aspx . Não assinaram o protocolo de Quioto(não foram cínicos!). Nós não andamos a cumpri-lo. É a mais antiga democracia do mundo e nenhum país lhe pode ensinar seja o que for nessa matéria. Basta pensar que na europa andamos em duas guerras por causa dos totalitarismos. Mais: se não fossem os ´americas´ a defenderem-nos após aII grande guerra da guerra fria talvez nem pudesse escrever isto... Os exemplos não têm fim...
Depois disto, e olhando para os telejornais , não se estará a exagerar?! Quando morreram pessoas devido à canícula em França ou às cheias na Austria não vi culparem os governos pelas falhas que houve no socorro às vítimas. Nem existiram os directos com corpos à vista, ou entrevistas com pessoas acabadas de regressarem às suas casas. Nem vi as pessoas discutirem tanto sobre isso pelas ruas. Mas quando se trata dos EUA o sabor é outro não é? Parece que dá um gosto especial se for com eles. O deleite, a volúpia saltam logo para nos regozijramos com a desgraça deles. E já estamos à esperinha do "Big One" em São Francisco... Quanto pior, melhor!. Que bom que vai ser!!
Já temos tema para o dia. Que morbidez a nossa. E mesquinhez.


"
Sodoma e Gomorra
José Pacheco Pereira
Que alguma coisa correu muito mal nos primeiros dias no apoio às vítimas do furacão Katrina, é incontestável. Que parte do que correu mal se deve à administração federal do Presidente Bush, também me parece ser incontestável. Que os políticos em democracia têm um preço a pagar por coisas como estas, continua a ser incontestável. Que há muita coisa de errado na sociedade americana, que nem tudo é bom, e que está longe de ser perfeita, também é incontestável. Não é isso que está em causa. Não combato o discurso da culpa com o da desculpa. Enquanto se estiver nessa dança árida da culpa-desculpa, não se vai a lado nenhum.O que está em causa é outra coisa, é a histeria anti-Bush, e antiamericana, que varreu a comunicação social, na portuguesa com o primarismo habitual, na de muitos outros países, incluindo os EUA, reproduzindo as clivagens da última eleição presidencial. Há hoje uma forte corrente de opinião mundial hostil aos EUA não só enquanto realidade política, mas enquanto realidade sócio-cultural. Pode até em parte ser culpa dos americanos, mas está cá para lavar e durar, e moldará a política europeia de uma forma muito perigosa, em primeiro lugar para os europeus, que dependem dos EUA para se defender e fazem de conta que não sabem isso.Não é apenas a guerra do Iraque, embora esta seja um irritante muito especial, são muito mais coisas, é a "superpotência", é o sistema económico, é o "imperialismo" cultural de Hollywood, é a globalização, são os McDonalds, são os alimentos geneticamente modificados, é o Deus das notas do dólar, são mil e um pretextos, mil e um ressentimentos, Podem bater com a mão no peito e dizer que não senhor, não são antiamericanos, até gostam dos EUA, da música americana, da cultura americana, das ruas de Nova Iorque, do "espírito" americano, tudo abstraindo do país concreto que existe e não há outro. Nesse país concreto, foi eleito aquele Presidente e eu posso detestá-lo, mas não uso a desgraça dos americanos para obter uma pequena vingança política e ganhar uma maior auto-estima feita do mal alheio. Este antagonismo antiamericano unifica muitos elementos, é poderoso porque vem da esquerda e da direita, tem raízes tanto no antiamericanismo filho do Kominform, como no antiamericanismo gaullista, que molda o perverso nacionalismo burocrático da União Europeia. Se há pensamento único, é aqui que se encontra nos nossos dias. Não me venham dizer que o que se viu na zona atingida pelo furacão é o que se costuma ver no Uganda e no Ruanda, porque isso é um completo absurdo que não resiste à mais pequena análise. É puro discurso ideológico transformado em discurso "noticioso", ou então não sabem do que estão a falar, e do que aconteceu no Ruanda, no Uganda, na Serra Leoa, por aí adiante.Não me venham agora dizer que descobriram a pobreza americana, com grande "surpresa", para fazerem uma catilinária contra o capitalismo selvagem, o "estado mínimo", e o american way of life que não dá aos seus pobres o que o Estado-providência europeu supostamente lhes dá. É um puro discurso ideológico, que, quando vem da esquerda, então é hipocrisia pura, porque o que sempre a esquerda radical disse é que a América era quase só isto. A pobreza esteve lá sempre, nuns sítios mais, noutros menos. A desigualdade social também. Na América, a pobreza é mais nua e crua, tão inaceitável como em qualquer lado, mas nunca esteve escondida de ninguém por qualquer imagem de perfeição social que só existe inventada na imaginação da propaganda, para ser utilmente negada com falso escândalo.Insisto, esta surpresa, este espanto, é de todo hipócrita. O retrato da pobreza e violência nos EUA entra-nos em casa todos os dias pelas séries televisivas e pelos filmes, já que agora não se lê literatura, porque, se se lesse, também entrava pelos livros. Por isso, não me venham agora dizer que se "descobriu" a pobreza do Sul e que ela é predominantemente negra. Não viram nenhum filme americano nos últimos anos, não viram nenhuma série televisiva? Não custaria fazer uma lista dos muitos modos puramente ideológicos como o que aconteceu foi usado para a campanha antiamericana. Começa-se por se esquecer que houve um furacão, e desapareceram as imagens da violência da natureza, passados os primeiros dias, em que elas ainda eram politicamente neutras. O contraste com o tratamento do tsunami é flagrante, e, nem de perto nem de longe, as televisões passaram algo de semelhante à repetição mórbida das ondas que entravam terra dentro. Os noticiários deram sempre em primeiro lugar, e às vezes em único lugar, a notícia da imputação da culpa, esquecendo quase de imediato o desastre natural, a não ser para reforçar a culpa, transformando a humanidade das vítimas numa abstracção e num libelo acusatório. Foi isso que interessou. O sujeito da desgraça de Nova Orleães foi Bush, não o Katrina e imediatamente se isentou toda e qualquer autoridade local e estadual para só referir a culpa do governo federal, como se os EUA não fossem um país feito de autoridades sobrepostas. Para muitos americanos, a começar pelos "pais fundadores", vinha daí a liberdade, mas talvez não seja tão eficaz como sistema de governo quando há uma catástrofe destas dimensões.Nos EUA, as vítimas não são verdadeiras vítimas, servem como bandeira para mostrar que o sistema é mau e o Presidente péssimo, que há um contínuo entre a guerra do Iraque e o "cenário de guerra", que mil e um comentários referiram a propósito e despropósito de Nova Orleães. Não me lembro de tal léxico bélico para descrever as zonas devastadas pelo tsunami, que certamente também deveriam parecer zonas de guerra. No tsunami, como a Tailândia, o Sri Lanka e a Indonésia são longe e não são os EUA, a questão da culpa só foi aflorada numa referência inicial sobre se havia ou não aviso possível. Quem é que quer saber da culpa em tão remotas paragens. Aí a culpa é da natureza.É por isso que há quem veja a "mão de Deus" no Katrina e não são só os fundamentalistas da Al-Qaeda, nem só os do Bible belt. A ideia de uma América e de um Presidente punidos pelo seu orgulho, ou a sua "falta de humildade", por cometer mil e um crimes no mundo e precisar de um revelador catastrófico da sua inerente maldade, está subjacente no modo como esta catástrofe se tornou numa metáfora política. Pior, numa metáfora moral sobre o mal castigado. Quem conhece a sua Bíblia sabe onde isto vem: no episódio de Sodoma e Gomorra. Deus, na sua absoluta ira, pune as duas cidades viciosas pelo fogo. Os seus anjos não encontraram nenhum homem que não fosse pecador e, depois de Lot estar a salvo mais a sua família, Deus varreu as cidades para todo o sempre. É uma forma de justiça não é? Historiador
" in Jornal Público