Diz-me com quem andas...
Do Jornal Público, hoje:
"04.07.2008, São José Almeida
Os comunistas portugueses já mostraram algumas vezes posições solidárias com os guerrilheiros colombianos. O Bloco critica os dois lados do conflito daquele país
O PCP insiste em defender uma "solução política e negociada" para as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), na nota emitida pelo seu Gabinete de Comunicação Social como reacção à libertação de Ingrid Betancourt, no qual não faz qualquer condenação daquela força de guerrilha colombiana."
Optando por emitir uma nota de imprensa e alegando que esta é feita "em resposta a várias solicitações dos órgãos de comunicação social", em vez de responder através de um dos seus membros ao pedido do PÚBLICO, a direcção do PCP afirma que "o resgate de Ingrid Betancourt após um período em que esteve prisioneira na selva colombiana, coloca em evidência a gravidade da situação em que se encontram centenas de prisioneiros em ambos os lados do conflito e a necessidade de encontrar uma solução humanitária entre as partes".
"Complexos problemas"
O comunicado do PCP salienta ainda que "os complexos problemas em presença exigem uma solução política e negociada de um conflito que se arrasta há mais de 40 anos sem solução". E garante que a actual situação "é, em si, inseparável da política de agravamento da exploração e de terrorismo de Estado praticada pelo Governo neofascista de Uribe, conforme tem vindo a ser denunciado pelas forças progressistas e democráticas da Colômbia".
A posição do PCP termina a garantir que "o povo colombiano poderá continuar a contar com a solidariedade dos comunistas portugueses na sua luta contra a opressão e exploração, pela justiça social, pela democracia e soberania nacional". Isto sem nunca condenar, nem sequer mencionar, a acção das FARC.
A polémica do "Avante!"
Refira-se que o PCP tem sido por várias vezes acusado de apoiar as FARC e tem sempre desmentido tal facto. A questão colocou-se até com a composição das delegações do Partido Comunista da Colômbia que normalmente tem um stand na Festa do "Avante!" e que é visto como o braço político das FARC.
O que é facto é que ainda este ano o PCP assumiu oficialmente duas posições de solidariedade com as FARC. A última foi tomada a 16 de Maio ao subscrever com mais 22 partidos o "Apelo de Partidos Comunistas e Operários dos países da UE sobre a 5.ª cimeira União Europeia-América Latina e Caraíbas (UE/ALC)". Aí uma das alíneas era a exigência de que "FARC-EP e o ELN sejam reconhecidos como combatentes e imediatamente retirados da lista da UE de 'organizações terroristas'", acrescentando ainda que "esta mesma lista deve ser abolida por ser um obstáculo para a resolução pacífica dos conflitos".
Mas já a 6 de Março, o PCP emitiu um comunicado, em que expressa as condolências às famílias dos guerrilheiros colombianos mortos, entre os quais o número dois das FARC Raul Reyes. Nesse texto, que está no site do PCP na Internet, pode ler-se: "Partido Comunista Português condena as acções militares do regime colombiano de Álvaro Uribe que, em violação do direito internacional, da soberania e integridade territorial do Equador, resultaram no massacre de 16 guerrilheiros colombianos e no assassinato de Raúl Reyes, um dos principais comandantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e um dos principais protagonistas das recentes iniciativas das FARC de libertação unilateral de prisioneiros".
E o Bloco de Esquerda?
Já o deputado do Bloco de Esquerda (BE) João Semedo garantiu ao PÚBLICO que o BE "não tem nenhuma relação nem nenhum contacto com as FARC" e que o facto de esta organização de guerrilha colombiana participar nos fóruns sociais mundiais em que o BE também participa nada significa, já que a presença das FARC é da responsabilidade de quem organiza as reuniões. E, demarcando-se de qualquer apoio às FARC, afirma: "Não exprimimos nem sentimos nenhuma solidariedade política com as FARC".
João Semedo salientou ainda que o Bloco de Esquerda considera que "a natureza detestável do regime colombiano não permite recorrer a formas de luta que são inaceitáveis, quer sejam violência física, raptos ou sequestros". "
A intolerância nunca tira férias.

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