Um blog de Filipe Figueiredo

sexta-feira, abril 29, 2005

A liçao.

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É de mestra!

Carlos Medina Ribeiro

Confrontado com as primeiras propostas governamentais acerca do «Choque Tecnológico», Belmiro de Azevedo comentou que o Estado devia começar por aplicá-lo na Função Pública.
De facto, e tendo em conta o descalabro (que, inúmeras vezes, se confunde com o ridículo) da informática na Justiça, nas Finanças, na Educação, na Segurança Social, etc., poderá pensar-se que tem toda a razão.Mas veja-se como, afinal, pode haver honrosas excepções:
Quando um dia me pediram para escrever alguns textos, fiquei muito honrado, mas o convite apanhou-me numa altura em que estava pouco ou nada inspirado.
E, depois, quando me veio a inspiração, estava tanto calor que não me apetecia estar em casa.
E foi assim que peguei no portátil, procurei um banco numa boa sombra de um jardim simpático e, tentando abstrair-me do chilreio dos passarinhos, comecei a trabalhar.
Ora, a certa altura, apercebi-me de que uma velhinha, tão pequenina quanto curiosa, se sentava ao meu lado e espreitava, procurando bisbilhotar o que eu estava a escrever. O facto de o monitor ser de matriz activa permitia que ela, mesmo de um ângulo desfavorável, pudesse ver tudo à vontade.
Não quis ser malcriado, não comentei nem resmunguei, e fiz os possíveis por me concentrar na escrita. Mas não consegui, e o certo é que, devido ao nervoso miudinho que eu não conseguia controlar, começaram a aparecer mais erros do que o habitual. Felizmente, o corrector ortográfico, sempre atento, ia corrigindo tudo, pelo que a grafia errada apenas se mantinha visível no monitor durante uma fracção de segundo.
Mas, mesmo assim, o diabo da velhinha era terrivelmente perspicaz, e comecei a ver que, a breve trecho, ela produzia surdas interjeições de desagrado quando eu me enganava!
Era apenas um «Tsch...! Tsch...!», mas sumamente irritante!
A certa altura, não aguentando mais, decidi-me a fechar o computador e sair dali, não escondendo o meu enfado.
E foi nessa altura, quando me resolvi a deitar-lhe um olhar desagradável, que se deu o incrível:
Descobri que a senhora era, nem mais nem menos, do que a D. Judite, a minha antiga professora de escola primária, e que me reconhecera!
- Seu maroto... - comentou ela, sorrindo - Estás muito crescido!
Vieram-me as lágrimas aos olhos e fiquei sem palavras!
- Tenho estado a ver-te a escrever... Sabes? Merecias 20!
«Coitada...» - pensei eu - «Mal sabes tu que era o corrector automático do computador a trabalhar!»
Mas uma surpresa maior veio logo a seguir:
- Seu maroto... Julgas então que eu não conheço o Word e essa função do auto-correct?
Fiquei banzado. E, ainda eu não tinha fechado a boca, quando ela concluiu, enquanto me dava dois beijinhos de despedida:
- Merecias 20... reguadas!
28-04-2005 0:23:43
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