" Bloco: uma garantia para a esquerda16-02-2002
Em declarações ao Diário de Notícias, Francisco Louçã garantiu que o Bloco poderá ser, no próximo jogo de forças parlamentar, um elemento de viabilização de uma maioria de esquerda e que será certamente um factor de impedimento de uma maioria de direita. Bloco de Esquerda admite viabilizar Governo socialista
PEDRO CORREIA O Bloco de Esquerda está disponível para viabilizar um Executivo do PS se os socialistas ganharem as próximas eleições sem maioria absoluta, admitindo entendimentos parlamentares com a bancada "rosa" na legislatura que vai seguir-se. "As reformas à esquerda exigem convergências maioritárias", reconhece o deputado Francisco Louçã, dirigente do BE, em declarações ao DN. Embora reafirmando a sua vocação prioritária para "fazer oposição", sem ambições de integrarem um futuro elenco governativo, tenha a cor política que tiver, os bloquistas asseguram desde já que não tencionam alinhar com os sociais-democratas e os populares no eventual "chumbo" do programa socialista na Assembleia da República. Isto na hipótese de uma vitória tangencial de Ferro Rodrigues nas legislativas de 17 de Março. Inversamente, se a vitória couber ao PSD - também sem maioria absoluta - é praticamente inevitável que o Bloco de Esquerda acabe por apresentar uma moção de rejeição a um programa de Governo "laranja", abrindo assim caminho a uma alternativa parlamentar à esquerda. "O pior dos cenários seria a ocorrência de novas eleições legislativas, ainda este ano, por bloqueamento de soluções alternativas na Assembleia da República. É útil uma clarificação política que evite empurrar os portugueses para um novo processo eleitoral", observa Louçã. Entre o "não" absoluto a qualquer apoio a um Executivo social-democrata e a reafirmação de que o BE "é um partido de oposição", o dirigente bloquista destaca no entanto a disponibilidade do seu futuro grupo parlamentar para se assumir como "parte integrante de soluções maioritárias" saídas das próximas legislativas, "procurando colocar as questões que impliquem uma verdadeira mudança política". E é aqui que regressa a expressão "convergências maioritárias", que desde já se antevê como um dos motes da campanha eleitoral do BE. Nesta perspectiva, os deputados bloquistas poderão firmar acordos parlamentares com a bancada do PS para a aprovação de reformas que consideram prioritárias. Desde logo, "uma verdadeira reforma fiscal" que complete os passos anteriormente dados nesta matéria. Também há abertura ao entendimento com os socialistas para viabilizar a reforma da saúde e avançar em áreas como a qualificação dos serviços públicos e o combate aos crimes ambientais - duas bandeiras que o Bloco há muito defende. "
http://bloco.org/index.php?option=news&task=viewarticle&sid=575
Este texto data de 2002 e foi retirado do site oficial do Bloco de Esquerda. Agora ainda é mais válido pois, nos tempos que correm, penso que José Sócrates nao hesitará em coligar-se com o Bloco no caso de ganhar as eleicçoes sem maioria absoluta. Aliás, se na altura Francisco Louça fez estas declaraçoes, porque nao as faz agora ? Já nao é valido que "As reformas à esquerda exigem convergências maioritárias" ? Ou nao haverá "disponibilidade do seu futuro grupo parlamentar para se assumir como "parte integrante de soluções maioritárias" ?
Ainda que nao queira Sócrates como primeiro ministro, visto ser uma extensao de um guterrismo que nao deixou saudades, prefiro votar num PS para lhe dar maioria do que coligado com o Bloco.
(continua)

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