Viagem ao passado
Já tenho visto algumas transcriçoes do género noutros blogues. Agora fica a minha pesquisa:
" 19 DE MARÇO DE 1980 1205
Estes factos desmistificam a demagogia fácil, a mentira que tem sido levantada à volta disto. Eu não o trago aqui à Câmara para recriminar, de forma alguma, o passado, que não me interessa neste aspecto. O que me interessa é que aprendamos as lições e que as UCPs e cooperativas, que existem e que têm lugar na estrutura agrária -porque elas, segundo a lei, têm lugar na Reforma Agrária--, em vez de utilizarem estes métodos, em vez de aplicarem no simples consumo desregrado o crédito entretanto obtido, em vez de se desgovernarem financeiramente e de terem as suas contas de tal modo que têm o crédito cortado por razões meramente financeiras - todas elas, menos um número de dez a doze-, porque não pagaram metade do crédito concedido na campanha do ano anterior e, como tal, nenhum banco faz empréstimos nessas condições, em vez de prosseguirem esse caminho tresloucado que apenas pode conduzir a um buraco e que não é a Reforma Agrária, adoptem métodos claros, não indo buscar garrafões de vinho para justificar os investimentos. Em vez disso, devem investir fazendo os sacrifícios necessários.Por outro lado, não devem ter complexos de procurar créditos apresentando projectos válidos de exploração, isto sem terem de atropelar os direitos dos outros cidadãos, sem terem de consumir gasóleo em percursos que não são necessários, sem terem de atropelar a lei e sem terem de andar mobilizados para impedir o cumprimento da Lei da Reforma Agrária, em vez de andarem a investir, a produzir e a trabalhar.
Aplausos do PSD, do CDS, do PPM e dos Deputados reformadores.
Sr. Presidente, eu gostaria de saber de quanto tempo é que ainda disponho.
O Sr. Presidente: - Dispõe de três minutos. Sr. Deputado.
O Orador -Muito obrigado, Sr. Presidente.Infelizmente o tempo é curto e, como tal, vou tentar ainda responder a algumas perguntas.Na sequência do pedido de esclarecimento do Sr. Deputado Sousa Tavares, gostaria de esclarecer alguns pontos. Na realidade o que foi dito pelo Sr. Deputado António Campos sobre estas famílias não corresponde inteiramente à verdade. Portanto aquele montante, embora em dois casos se trate de beneficiários ou de utentes de crédito que têm um nome semelhante, foi atribuído a empresas completamente diferentes.
O Sr. António Campos (PS): - São ou não da mesma família?
O Orador: - Bem, eu não sei qual é o conceito de família do Sr. Deputado.
O Sr. António Campos (PS): - Estou a perguntar se são ou não da mesma família.
Neste momento registou-se uma violenta troca de palavras entre os Srs. Deputados Sousa Tavares e António Campos, os quais se ergueram dos seus lugares ameaçando-se mutuamente.
O Sr. Raul Rego (PS): -Vá para a puta que o pariu.
Protestos do PSD, do CDS, do PPM e dos Deputados reformadores.
O Sr. Sousa Tavares (DR): - Já todos sabemos que o senhor é um malcriado.
Protestos do PS.
O Sr. Presidente:-Srs. Deputados, peco-lhes calma e que não entrem em diálogo directo, bem como peço aos Srs. Deputados Sousa Tavares e António Campos que terminem de imediato essa troca de palavras.Sr. Deputado Ferreira do Amaral, queira continuar a responder, por favor.
O Orador: - Sr. Presidente, penso que após este momento um pouco agitado já poderei responder à pergunta do Sr. Deputado António Campos.O que para este efeito interessa não é saber os laços de parentesco, que podem interessar a um genealogista, mas que não interessam num ponto de vista de economia ou num ponto de vista agrícola. Tão-pouco interessa saber o nome.
O Sr. António Campos (PS): - Mas são a mesma família ou não?
Protestos do PSD, do CDS, do PPM e dos Deputados reformadores.
O Orador. - No caso Sousa Uva não é a mesma família.
Protestos do PS.
O Sr. António Campos (PS): - Você é um mentiroso.
O Sr. Presidente: -Sr. Deputado António Campos, o Sr. Deputado poderá protestar no fim das respostas, mas neste momento tem de deixar o Sr. Deputado Ferreira do Amaral responder aos pedidos de esclarecimento.
O Orador - Se o Sr. Deputado António Campos não me deixa responder aos pedidos de esclarecimento, manter-me-ei calado.
O Sr. António Campos (PS):-Só lhe exijo que diga se são ou não da mesma família.
O Sr. Sonsa Tavares (DR): - O senhor é um mentiroso.
O Sr. António Campos (PS): - O senhor é um animal.
Nova troca de insultos entre os Srs. Deputados Sousa Tavares e António Campos.
O Sr. Presidente: - Srs. Deputados, se não se calam imediatamente suspendo a sessão.
O Sr. Sousa Tavares (DR): -O senhor pede favores para os amigos. O senhor é uma vergonha como Deputado. "
"Então, o meu problema é este: o Sr. Ministro sabe, com certeza, que todos os serviços de informações têm, por um lado, a tendência para se autonomizarem e, por outro lado, a tendência para sucessivamente irem mais além na pesquisa sem a preocupação de evitar calcar os direitos dos cidadãos.De uma maneira geral, podemos mesmo dizer que os serviços de informação actuam sempre de uma maneira ilegal, introduzindo-se por formas ilegais na vida do cidadão, na sua residência, na sua correspondência, nos telefones, etc., etc.
O Sr. Antunes da Silva (PSD): - Isso é que é experiência!
Vozes do PCP: - E experiência é! É experiência de 50 anos!
O Sr. Jerónimo de Sousa (PCP): - Estavas cá fora na altura, por isso é que não sabes!
O Orador: - Quem é que disse isso que eu tinha experiência?
O Sr. Jorge Lemos (PCP): - Foi aquela besta do PSD!
O Sr. Presidente: - Srs. Deputados, peço a atenção da Câmara. VV. Ex." sabem que têm exactamente o tempo regimental para falar, de maneira que agradecia que não houvesse interrupções.
O Orador: - É que há deputados que, efectivamente, não podem perceber isto! Eles noutros tempo estavam do lado da polícia ...
Vozes do PCP: - Muito bem!"
"18 DE FEVEREIRO DE 1982 2175
O Sr. Santa Rita Pires (PSD): - Todos nós, sabemos que o Sr. Deputado Manuel Lopes, independentemente de ser deputado também é dirigente da central sindical social-fascista ...
Vozes do PCP: - Provocador!
O Sr. Rogério de Brito (PCP): - Sua besta!
O Orador: - Calma, calma aí! Estou no uso da palavra!Aguenta aí os cavalos!...
O Sr. Presidente:- Sr. Deputado Santa Rita, vamos ver se moderamos a linguagem!Os Srs. Deputados estão a imobilizar o diálogo, daqui a pouco temos que descontar no tempo de que dispõem ...Faça favor de continuar, Sr. Deputado Santa Rita Pires.
O Orador: - Ora bem, todos sabemos que qualquer trabalhador que adere a uma greve está predisposto a perder o ordenado. Pergunto, pois, ao Sr. Deputado Manuel Lopes se já entregou, na Assembleia, requerimento nesse sentido.Aguardo a resposta. "
" O Sr. Vital Moreira (PCP): - Não seja mentiroso. "
"O Sr. Manuel Gusmão (PCP): - Mentiroso!!"
"O Sr. Vítor Louro (PCP): - Não seja mentiroso!"
" Sr. Vital Moreira (PCP): - Por que é que se abstiveram, se era contra o Regimento?
Uma voz do PPD: - Cala-te!
O Sr. Vital Moreira (PCP): - Não gostas?
A Sr. Helena Roseta (PPD): - Mais grave foi vocês absterem-se na saudação que aqui fizemos sobre a abolição da pena de morte no Canadá. "
"Ria-se, ou não se ria, obtenha ou não as palmas de quem se situe atrás de si, a realidade dos factos é incontroversa.
Vozes do PSD: - Muito bem!
Uma voz do PS: - Não se excite!
O Orador: - E bem me importa da indignação fingida ou sincera, estúpida ou não estúpida, de quem quer que se. situe atrás do senhor.
Aplausos do PSD.
O Sr. Costa Moreira (PS): - Estúpido é você!
O Sr. Alfredo de Carvalho (PS): - Este lugar é indigno do Sr. Deputado. É indigno de estar aqui dentro.
O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado José Luís Nunes.
O Sr. José Luís Nunes (PS): - Srs. Deputados: A afirmação que saiu do discurso do Sr. Deputado Cunha Leal não merece qualquer espécie de resposta. O que está escrito consta do texto, portanto é uma discussão histórica sem sentido. Aquilo que pretendo foi explicado. Não disse que o Sr. Deputado não tinha dez reis de talento porque eu nunca utilizo esse tipo de expressões. Disse que o Sr. Deputado simplesmente não tinha talento, o que é manifestamente diferente.
O Sr. Pedro Roseta (PSD): - Olha quem fala! "
"ominosa delação. É um bom exemplo, a meu ver, de como não deve fazer uma discussão.
O Sr. José Magalhães (PCP): - Essa explicação é que é espantosa!
Uma Voz do PSD: - Cala-te!
O Orador: - Por outra parte, gostaria ainda de referir um outro ponto. Muitos deputados do PCP manifestaram-se profundamente irritados com a circunstância de eu utilizar a expressão «bem-pensante» que foi uma expressão que o escritor Bernanos, como sabem, tornou célebre.
Voz do PCP: - Sabemos, sabemos ..."
"A Sr.ª Hermenegilda Pereira (PCP): - Cala-te, facho! "
" via de substituição natural seria por técnicos, dada a dimensão das. explorações. Por simples que pareça a profissão, um agricultor que mal saiba ler não está normalmente em condições de planear e dirigir as enormes explorações colectivas que o PC. para sua desgraça, criou.
O Sr. Vital Moreira (PCP): -Cala-te galináceo!
O Orador: -- O primeiro resultado da incompetência dos novos gestores foi ama queda espectacular das produções. Em 1977 a produção de figo do País foi de 224000 t e a estimativa do INE para 1978 foi de 213000 t. Para se ter consciência do que estas produções representaram, recuemos no tempo, tomando por base as décadas:
O Sr. Carlos Carvalhas (PCP): - Seu ignorante! "
" Os trabalhadores sabem que como Deputado independente a lei não me permite, a filiação em qualquer partido.No entanto, não será isso que me, impedirá de apoiar o defender aqueles que hoje tomaram em mãos à tarefa de construir esse partido que falta à Revolução portuguesa, um partido operário de unidade socialista.
O Sr. Vital Moreira (PCP): - Um partido otário!
O Sr. Aires Rodrigues (Indep.):- Otário é o Sr. Deputado! Não é tão otário, como isso, pois entende perfeitamente o que faz.
Uma voz do PCP: - Estás a dar as despedidas!
O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Vice-Primeiro-Ministro.
O Sr. Vice-Primeiro-Ministro: - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Queria prestar alguns esclarecimentos acerca de declarações hoje aqui feitas. A ordem das respostas não será a das intervenções, mas julgo que isso não é um ponto fundamental.Em relação às declarações do Sr. Deputado Ribeiro e Castro: foram declarações de, generalidade e o Governo apenas ficou a saber por elas, tal como já sabia em relação ao PCP, o sentido do seu voto "
" O Sr. Silva Marques (PSD): - Social-troglodita!
Vozes do PSD: - A gente até gosta de o ouvir.
O Sr. Presidente: - Srs. Deputados, peco-lhes que guardem o silêncio necessário. Se assim não for o Sr. Deputado não pode continuar.
O Orador: - Estão só a confirmar o que eu disse.
Protestos do PSD.
O Sr. Silva Marques (PSD): - Como bons trogloditas!
Uma voz do PSD: - Dai a César o que é de César!
O Sr. Presidente: - Tenha a bondade de continuar. Sr. Deputado César de Oliveira.
Protestos do PSD.
O Orador: - Posso continuar, Sr. Presidente?
Protestos do PSD.
Sugiro à bancada do PSD que dê vazão a todos os seus instintos de trogloditagem ,para eu poder falar. É que enquanto não derem vazão eu fico calado. "
"Portanto, quando se usa esse argumento para explicar que essa é uma zona deprimida, isso revela um total desconhecimento da realidade local! Durante quatro anos, estarei também disposto a contribuir para o seu esclarecimento, Sr. Deputado.Sr. Presidente e Srs. Deputados, usando a minha condição de barranquenho, permitam-me terminar com algo que todos os barranquenhos gostariam de dizer hoje aos Srs. Deputados que apresentaram os projectos de lei: Barrancos bién, bién, coño bién ! "
" Sr. Vital Moreira (PCP): - Que infame!
O Sr. Narana Coissoró (CDS): - Cale-se!
O Orador: - Em nome de que povo português? Do povo português, das populações que no Alentejo andam acorrentadas, escravizadas, à roda do Partido Comunista Português, que dele recebem os salários fruto do rendimento de todos nós que é o rendimento da cortiça do Alentejo, designadamente? "
.....

0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home