Um blog de Filipe Figueiredo

terça-feira, janeiro 04, 2005

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A Massa Crítica nas Universidades Por EDUARDO ALEXANDRE SILVATerça-feira, 04 de Janeiro de 2005
assa crítica é uma das muitas mais-valias que se espera que uma universidade ofereça à sociedade. Na minha opinião, uma das "obrigações" das universidades para com a sociedade é "produzir" pessoas que sejam depois capazes de aumentar a massa crítica de um país e com isso elevar o nível de vida da população. Normalmente, quanto melhor é o ensino produzido pela universidade, maior massa crítica resulta, levando a que seja mais saudável e democrática e, consequentemente, a sociedade e o país. A diferença (quantitativamente e qualitativamente) de massa crítica resultante da universidade é um aspecto onde noto grande diferença entre Portugal e os Estados Unidos. Mesmo entre diferentes universidades nos EUA, consegui notar diferenças consideráveis. Por exemplo, a Universidade de Harvard possui uma massa crítica consideravelmente mais elevada do que a anterior universidade onde me encontrava, Michigan.
Ao ler uma notícia do PÚBLICO de 14 de Dezembro, onde relatava que nenhuma universidade portuguesa marcava presença num "ranking" das 200 melhores universidades do mundo, lembrei-me de um jantar de amigos onde discutimos o ensino superior em Portugal. Estávamos todos a estudar em Harvard e todos facilmente elencávamos as enormes diferenças existentes entre as duas realidades que conhecíamos. Contudo, num aspecto nos dividíamos: uns defendiam que o grande problema é ao nível institucional, ou seja, em Portugal temos de criar estruturas, instituições que apresentem níveis de qualidade elevada, levando a que o país progrida no sentido de copiar os bons exemplos; por outro lado, outros, onde eu me incluía, defendiam que existe um problema fundamental de mentalidade na nossa sociedade.
Volto ao início, a diferença é que hoje a grande maioria das nossas universidades não produz massa crítica, mas sim técnicos ou licenciados direccionados para um tipo de função mecanizada do mercado de trabalho. Saem da universidade e já estão dentro do "sistema", onde quem questiona muito é olhado com estranheza pelos seus pares. Não se discute nada, apenas se confirma o quotidiano com o óbvio. Durante a universidade, não se "aprende a perceber", mas sim a decorar. "Marrar" é palavra de sucesso para o jovem estudante. Não é nada difícil um aluno cábula terminar a sua licenciatura, com uma média razoável, devido apenas aos esquemas de "copianços". Por cá, os alunos são formatados de forma a possuir um pensamento idêntico ao professor. Enquanto nos EUA fazer mestrado, doutoramento, na instituição onde se graduaram, é sinal de insucesso pessoal, em Portugal é regra e coisa aconselhável...
De facto, em Portugal a universidade não cumpre uma das suas maiores obrigações: criar massa crítica. Levando-me a equacionar se não deverá ser justo começar a questionar a utilização de dinheiros públicos por parte das universidades... Por que não fazer "contratos por objectivos" com as Universidades públicas? Traçar e pedir objectivos concretos às universidades, sob pena de cortar o financiamento das mesmas, poderia ser uma medida nesse sentido, por exemplo.
Contudo, de volta à realidade - acorda Eduardo, defender e implantar estas ideias é pedir demais para um país como o nosso, certo?...
Gulbenkian PhD student, Harvard University
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http://jornal.publico.pt/2005/01/04/EspacoPublico/O02.html