Um blog de Filipe Figueiredo

sexta-feira, dezembro 17, 2004

" PS Exlui Entendimentos com PCP, mas Admite Acordos com o Bloco de Esquerda Por JOÃO PEDRO HENRIQUESTerça-feira, 14 de Dezembro de 2004 A direcção do PS exclui de todo em todo governar apoiado num entendimento com o PCP de Jerónimo de Sousa, mas o mesmo já não se aplica em relação ao Bloco de Esquerda. Isto, é claro, se a desejada maioria absoluta não for atingida - e não há ninguém na equipa liderada por José Sócrates que não saiba que o objectivo é extremamente difícil. Ao que o PÚBLICO apurou, o cenário que verdadeiramente preocupa a direcção socialista é o de voltar a governar em maioria relativa, como aconteceu durante os dois governos liderados por António Guterres. José Sócrates quer fazer tudo para que isso não se repita e, em círculos restritos, já admitiu a possibilidade de se entender com o Bloco de Esquerda. Este partido tem-se mostrado particularmente agressivo em relação à nova liderança socialista - muito mais do que em relação a Ferro Rodrigues - mas, até agora, na análise da direcção do PS, ainda não disse nada que tornasse um entendimento absolutamente inviável. "Era preciso que se pusessem a dizer que queriam Portugal fora da Nato e coisas do género e até agora não o fizeram", afirmou ao PÚBLICO um membro da equipa dirigente do PS. Com o PCP de Jerónimo de Sousa o caso é rigorosamente outro, bem diferente. A agressividade comunista em relação ao PS tem sido notada e é claro para a direcção socialista que se deu um retrocesso na relação entre os dois partidos, razão pela qual é inviável um entendimento de governação. "O PCP regressou aos tempos do gonçalvismo e assim não são possíveis conversas", afirmou o interlocutor do PÚBLICO. A direcção do PS tem insistido na questão da maioria absoluta, mas a verdade é que, mesmo em documentos "doutrinários" oficiais, não descarta a hipótese de um entendimento de governo. Na moção que José Sócrates apresentou ao congresso que o consagrou como líder - moção essa aprovada por esmagadora maioria - lê-se que a "autonomia estratégica" que a direcção defende para o PS "não é sinónimo, com ou sem maioria absoluta, de autismo estratégico". Ou seja, "o diálogo com vista a consensos alargados na sociedade e no Parlamento foi um método que o PS sempre cultivou". Razão pela qual "o partido não deve pôr de lado a construção de uma solução de legislatura que, excluíndo qualquer entendimento à direita - que nada justifica - e não descaracterizando o essencial das propostas apresentadas ao eleitorado, assegure condições parlamentares de governabilidade e evite a experiência de acordos pontuais como a vivida entre 1995 e 2002". Para já, no entanto, o discurso oficial é centrado na necessidade da maioria absoluta. José Sócrates irá aos poucos dramatizando a questão com base em dois argumentos: Santana Lopes está longe de estar derrotado; e o PS é, à esquerda, uma referência de estabilidade. Novas Fronteiras com novo tema A campanha socialista já está completamente na estrada e prova disso é a agenda de José Sócrates. Ontem percorreu o Minho. Hoje receberá o movimento de empresários Compromisso Portugal, deslocando-se ainda a Coimbra para falar de saúde. Na quarta-feira estará em Bruxelas numa reunião com líderes socialistas europeus. Na quinta intervirá num jantar do grupo parlamentar; na sexta num jantar com militantes na velha FIL de Lisboa; no sábado descerá com militantes a rua de Santa Catarina, no Porto, jantando depois na Alfândega. No domingo subirá a Trás-os-Montes. Ao mesmo tempo, vai avançando o Fórum Novas Fronteiras, de onde sairá o programa eleitoral do PS, em 22 de Janeiro. Prevê-se para sábado, em Lisboa, uma reunião com personalidades ligadas à ciência, reunião onde deverá pontificar Mariano Gago, que pertence ao conselho coordenador do fórum. Aos quatro grandes temas (economia, políticas sociais, qualidade de vida e política externa) foi entretando acrescentado um quinto: cidadania, segurança e justiça. Trata-se, precisamente, da principal especialidade do coordenador do programa de Governo do PS, António Vitorino. "

http://jornal.publico.pt/2004/12/14/Destaque/X01.html
" UDP Há 30 Anos à Espera Por NUNO SÁ LOURENÇO Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2004 da "sociedade socialista" A União Democrática Popular (UDP) celebrou ontem o seu 30º aniversário com uma festa que levou ao palco do Fórum Lisboa José Mário Branco e o grupo Cantar Nosso que revisitou as canções do Grupo de Acção Cultural (GAC). Entre a assistência estavam algumas das figuras históricas daquele partido de esquerda, que tem assento na Assembleia da República através do Bloco de Esquerda (BE) e de Luís Fazenda, e que se prepara para, em Abril do próximo ano, seguir o caminho do PSR: transformar-se numa associação representante de uma corrente política no interior do Bloco. O aniversário prestava-se a um balanço da actividade do partido. Carlos Marques, ex-candidato presidencial, destacou o contributos da "experiência de luta e dos conceitos que foram mudando" para a formação do BE. O socialismo continua a ser a palavra-chave, embora com algumas diferenças. "Passámos a defender um socialismo num estado de direito", afirma. O major Mário Tomé, que foi deputado pela UDP, definia como objectivo que se mantinha desde o início a luta por uma "sociedade socialista liberta de todas as cadeias", embora a imagem dessa sociedade fosse diferente do que era nos primeiros anos da democracia portuguesa. "O socialismo tal qual era dito, acabou. O fim dos países soviéticos foi dolorosa para todos nós. Obrigou-nos a abrir os olhos e a ir às fontes", reconheceu antes de acrescentar que estavam "dogmatizados, sectarizados". E congratulou-se pela capacidade de através do BE ter conseguido "sobreviver e ter um papel" na política portuguesa. Os inimigos continuavam os mesmos. Mário Tomé identificou "o império norte-americano" e Carlos Marques "o desempergo" e a globalização capitalista. Na festa da UDP não estavam apenas militantes. Francisco Louçã e Miguel Portas, dirigentes do Bloco de Esquerda sentavam-se na primeira fila da sala. Miguel Portas elogiou os parceiros na palataforma pelo "esforço de, procurando ser fiel às raízes, entender que o combate político pela trasnformação social se tem de fazer pela convergência". E reconheceu o mérito da UDP ter trazido para o BE "uma componente de activismo operário indispensável à contrução do BE e os bons quadros". Apesar de não comungar com as posições ideológicas do partido, Aristides Teixeira, uma das figuras bloqueio da ponte 25 de Abril, durante o último governo de Cavaco Silva, estava no Fórum Lisboa pela sua amizade com alguns dos dirigentes. A mais-valia que via na UDP era a capacidade de "agitar a luta" para acocretização de um sonho: "Que Portugal um dia ainda há-de ser uma país democrático." "


http://jornal.publico.pt/2004/12/13/Nacional/P21.html


" Partido Socialista Revolucionário Já É Associação Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2004 O Partido Socialista Revolucionário concretizou ontem, em Congresso, a sua transformação em associação política, mas promete continuar a funcionar como um espaço de debate dentro do Bloco de Esquerda. "A Associação Política Socialista Revolucionária (APSR) vai continuar como uma corrente dentro do Bloco de Esquerda", assegurou à Lusa Luís Branco, um dos dirigentes do PSR, no final de dois dias de Congresso. Uma das formas de acção desta associação será concretizada através da continuação da edição da revista "Combate" e da organização de cursos de formação "para o debate e consolidação teórica da corrente". Nas teses aprovadas no Congresso, realizado na Faculdade de Letras de Lisboa, o PSR explica as razões que levaram à sua extinção como partido e deixa alguns alertas ao BE. "O grau de identificação do PSR com a orientação e direcção do Bloco reduz os factores autónomos de auto-referência. Existe assim uma pressão dissolvente que é inegável. Com raras excepções a militância que existe é a que se transferiu para o Bloco", refere o documento. Por outro lado, o PSR alerta o Bloco de Esquerda de que "não dispõe ainda de uma base social organizada de dimensão que corresponda à sua expressão política" e de que não deve ceder à rotina. "O Bloco corre vários riscos (à) O perigo maior é a acomodação e a rotina, o temor de perder as posições conquistadas e de suscitar a oposição dos nossos adversários", afirmam as teses. "A organização da acção social bem como a manutenção de um alto grau de confronto político é fundamental para a sobrevivência e crescimento político do Bloco", defende aquele documento. "


http://jornal.publico.pt/2004/12/13/Nacional/P23.html


" PSR extingue-se em Dezembro Lusa O Partido Socialista Revolucionário irá deixar de existir como partido, após um congresso a realizar a 11 e 12 de Dezembro, em que se transformará numa associação política, afirmou hoje o dirigente do PSR Luís Branco.O PSR integrou o Bloco de Esquerda (BE) desde que este foi criado em 1999. Para Luís Branco a sua extinção “é a evolução natural e coerente" de um partido que "na década de 90 combateu pela criação de uma força de esquerda alternativa ao PS e ao PCP”."Há uma identificação natural e automática com o Bloco de Esquerda e com o impacto e o sucesso do BE na sociedade. A decisão de extinguir o PSR é uma decisão coerente com o sucesso dessa aspiração. Não há qualquer espécie de saudosismo. Não temos saudades do tempo em que o PSR tinha 0,9 por cento", disse.O dirigente do PSR rejeitou que a decisão tenha sido impulsionada pela nova Lei dos Partidos Políticos, que prevê a extinção de partidos que não se candidatem a eleições gerais durante seis anos consecutivos."A situação do PSR pode aí enquadrar-se, mas a decisão é política", sublinhou."Desde 2000 que o PSR não é, para todos os efeitos, um partido com actividade política. Daí a sua passagem à forma de associação política", acrescentou Luís Branco.No congresso do PSR, que se realizará a 11 e 12 de Dezembro, em Lisboa, será aprovada a criação de uma associação política que, segundo Luís Branco, terá como principal objectivo "agregar uma corrente política de pessoas que se identificam com o património histórico do partido e continuar a editar o Combate".O Combate foi o jornal do PSR e passou, em Junho passado, a formato de revista, com periodicidade mensal.Quanto à designação da associação política a criar, Luís Branco disse que "a intenção é manter a sigla PSR, mudando o significado do P [de partido]".A associação política continuará a realizar ainda cada ano "encontros para discussão de temas estratégicos que a actividade diária do Bloco de Esquerda não deixa espaço para que se discutam em profundidade", revelou.O PSR foi criado em 1974, nascendo da fusão da Liga Comunista Internacionalista e do Partido Revolucionário dos Trabalhadores,e assume-se como a secção portuguesa da IV Internacional, fundada em 1938 por Trotsky. DR O PSR integrou o Bloco de Esquerda desde que este foi criado em 1999 "


http://ultimahora.publico.pt/shownews.asp?id=1206728&idCanal=12



" Bloco: uma garantia para a esquerda 16-02-2002 Em declarações ao Diário de Notícias, Francisco Louçã garantiu que o Bloco poderá ser, no próximo jogo de forças parlamentar, um elemento de viabilização de uma maioria de esquerda e que será certamente um factor de impedimento de uma maioria de direita. Bloco de Esquerda admite viabilizar Governo socialista PEDRO CORREIA O Bloco de Esquerda está disponível para viabilizar um Executivo do PS se os socialistas ganharem as próximas eleições sem maioria absoluta, admitindo entendimentos parlamentares com a bancada "rosa" na legislatura que vai seguir-se. "As reformas à esquerda exigem convergências maioritárias", reconhece o deputado Francisco Louçã, dirigente do BE, em declarações ao DN. Embora reafirmando a sua vocação prioritária para "fazer oposição", sem ambições de integrarem um futuro elenco governativo, tenha a cor política que tiver, os bloquistas asseguram desde já que não tencionam alinhar com os sociais-democratas e os populares no eventual "chumbo" do programa socialista na Assembleia da República. Isto na hipótese de uma vitória tangencial de Ferro Rodrigues nas legislativas de 17 de Março. Inversamente, se a vitória couber ao PSD - também sem maioria absoluta - é praticamente inevitável que o Bloco de Esquerda acabe por apresentar uma moção de rejeição a um programa de Governo "laranja", abrindo assim caminho a uma alternativa parlamentar à esquerda. "O pior dos cenários seria a ocorrência de novas eleições legislativas, ainda este ano, por bloqueamento de soluções alternativas na Assembleia da República. É útil uma clarificação política que evite empurrar os portugueses para um novo processo eleitoral", observa Louçã. Entre o "não" absoluto a qualquer apoio a um Executivo social-democrata e a reafirmação de que o BE "é um partido de oposição", o dirigente bloquista destaca no entanto a disponibilidade do seu futuro grupo parlamentar para se assumir como "parte integrante de soluções maioritárias" saídas das próximas legislativas, "procurando colocar as questões que impliquem uma verdadeira mudança política". E é aqui que regressa a expressão "convergências maioritárias", que desde já se antevê como um dos motes da campanha eleitoral do BE. Nesta perspectiva, os deputados bloquistas poderão firmar acordos parlamentares com a bancada do PS para a aprovação de reformas que consideram prioritárias. Desde logo, "uma verdadeira reforma fiscal" que complete os passos anteriormente dados nesta matéria. Também há abertura ao entendimento com os socialistas para viabilizar a reforma da saúde e avançar em áreas como a qualificação dos serviços públicos e o combate aos crimes ambientais - duas bandeiras que o Bloco há muito defende. "

http://bloco.org/index.php?option=news&task=viewarticle&sid=575


Este texto data de 2002. Agora ainda é mais válido pois, nos tempos que correm, penso que José Sócrates nao hesitará em coligar-se com o Bloco no caso de ganhar as eleicçoes sem maioria absoluta. Aliás, se na altura Francisco Louça fez estas declaraçoes, porque nao as faz agora ?
De tantas pessoas com quem falei sobre politica, ainda me falta encontrar uma que saiba pelo menos um partido (dos vários) que constitui o Bloco de Esquerda. Também é verdade que o Bloco nao se esforca por mostrar quem é. Quando o diz, di-lo baixinho.....

1 Comments:

Blogger francisco said...

1 -Bom, a mim parece-me claro!

Na altura FL fez estas declarações pois tinha a certeza de que nunca o PS sairia vitorioso, quanto mais poder fazer uma coligação com ele...

Como é que um partido que nunca pretendeu, na sua luta política (sua, dos seus grupos, partidos, ou associações que o constituem), a conquista do poder e que sempre se candidatou não à formação de um governo mas sim à formação de uma oposição, pode, agora que o tempo urge e é premente uma candidatura a um governo coeso, audaz, responsável e ciente dos compromissos políticos, sociais e económicos, arriscar-se a pôr a corda no pescoço e atravessar-se dessa maneira? Nunca!

Embora eu pense, já que certezas ninguém as tem, que saindo o PS das próximas eleições com uma maioria não absoluta não hesite em aliar-se ao Bloco... mesmo assim, julgo que não será fácil a Louçã enfrentar tal imbróglio...

Será sempre interessante ver o senhor Anacleto a ministro. Qual a pasta que lhe será atribuída? Não sei. Mas talvez o ministério das minorias, dos homossexuais e dos imigrantes ostracisados... ... digo eu ...

2 – é verdade meu amigo... parece que está na moda ser bloquista mas, como tudo o que é de moda, o bloco está bem maquilhado e engana muita gente com o seu discurso bem-falante. No entanto, nem tanto ao mar nem tanto à terra. É incontestável que o BE tem vindo a ser essencial em diversas ocasiões, tendo muitas das vezes uma opinião responsável e perfeitamente exequível... agora, não vamos é esquecer-nos das raízes de onde brotam tais opiniões...

3 – boa selecção de textos e artigos... continua meu caro... estás no bom caminho...

4 – gostava também de, além de ler esses artigos por ti sugeridos, ler também mais e mais frequentes ideias tuas, já que a distância que, por agora nos separa, me impeça de o fazer in loco e ao vivo...

Um grande abraço

10:53 p.m.

 

Enviar um comentário

<< Home