Afinal nao sao eles os estúpidos, somos nós....
"Crónica de Jorge Leitão Ramos Somos todos americanos?
Eu sou daqueles que acham que o cinema é a grande arte americana do século XX. Por muita admiração que outros cineastas de outras latitudes me mereçam - de Bergman a Fellini, de Renoir a Buñuel - , não consigo esquecer que o nó essencial do cinema nasceu e prolifera entre Nova Iorque e Hollywood, desde os pais fundadores (Chaplin, Griffith, Stroheim) aos maiores expoentes da actualidade.
Isso não impede que ache bizarro que, ao consultar os resultados de bilheteira portugueses (totais acumulados entre Janeiro e Outubro de 2004) verifique que os 50 filmes mais vistos em Portugal sejam todos americanos. TODOS, disse bem... Acham normal?
Alguma coisa de profundamente distorcido domina os espectadores portugueses. Resultados destes não existem em nenhum país civilizado, salvo nos Estados Unidos, está bom de ver. E, neste momento, nem sequer se pode dizer que é por falta de alternativa. Estreiam em Portugal filmes de diversíssimas origens (Lisboa é mesmo uma das capitais do mundo onde se vê melhor cinema), alguns com razoável potencial de sucesso de público, dotados de meios de promoção aceitáveis e com cobertura mediática conveniente. Todavia, apesar disso, todos os 50 filmes mais vistos são americanos.
A culpa é de nós todos, está claro. E radica, antes do mais, numa ausência de cultura cinematográfica das camadas de população que mais frequentam as salas (jovens abaixo dos 30 anos, dizem todas as estatísticas), ausência que as impede de estar disponíveis para formas de expressão que não sejam formatadas segundo os padrões dominantes, ausência que faz achar estranhas, no ecrã, quaisquer outras línguas diferentes do inglês, ausência que as torna permeáveis a todas as formas massivas de publicidade. A culpa é de nós todos: do sistema de ensino, que não é capaz de pensar o cinema no interior dos conhecimentos e reflexões a ministrar às jovens gerações; dos «media», que não conseguem fazer passar uma mensagem em prol da diversidade; da sociedade em geral, cada vez menos preparada para o múltiplo, cada vez mais afunilada para o uno. Haverá forma de dar a volta a esta tristeza? "
http://online.expresso.clix.pt/1pagina/artigo.asp?id=24747926
Claro que a culpa é dos sistema de ensino e da sociedade. O sistema de ensino devia obrigar (à força?) os jovens a ir ao cinema 4 vezes por semana ao cinema. Até forneço já a minha contibuiçao:
1a semana de Janeiro: " O quarto do filho" - Nanni Moretti
2a semana : " O Discreto Charme da Burguesia" - Buñuel
3a semana : " Cinema Paraíso" - Giuseppe Tornatore
4a semana : " Gato preto, gato branco" - Emir Kusturica
Nota: A tristeza de que fala o autor, é a tristeza de quem nao sabe perder eleiçoes. Ponto. Quando nao se tem humildade na derrota, nao é preciso começar com exercícios de arrogancia e mau perder para justifica-la. Fico a pensar quantos destes artigos com um cariz anti-americano mal disfarçado nao existiriam caso o resultado das eleiçoes fosse outro....

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