Um blog de Filipe Figueiredo

terça-feira, novembro 09, 2004

"Opinião
Cartas EspanholasOhio não é BarcelonaJosé Luís Montero
Ohio é mais importante que Barcelona; os nervos presidenciais, desta vez, não se preocuparam com as vontades catalãs; os números chegavam de longe, da terra que nos contou histórias de foragidos. As trocas de palavras Governo-oposição falavam de Bush, não falavam dos caprichos constitucionáis do Governo Catalão, nem sequer falavam do indulto que a velha corte socialista aspira conseguir para o condenado Rafael Vera.
O chefe da oposição, Mariano Rajoy, lembrou, mais uma vez, que as caneladas de Zapatero a Bush terão resultados nefastos para Espanha. Esta terra, além do marasmo interior que vive, vive uma situação internacional própia do noivo ou noiva que se portou mal e que foi abandonado com palavras grossas de castigos futuros.
No entanto, dentro desta aparência que indica que as coisas mudariam segundo o inquilino da Casa Branca, parece-me que há um engano ou uma leitura, claramente, tendenciosa; Kerry manifestou, claramente, qual era o inimigo exterior dos Estados Unidos, por isso, a posição internacional de Espanha não seria diferente e os castigos, se é que os há, não ficariam eliminados.
A política exterior gringa não se altera, bruscamente, segundo o capricho do Presidente eleito; fudamentalmente, em questões que são marcadas para fazer ver bem quem é a cabeça do Império. A esquerda desta velha Europa, quando se alinha com um ou outro, nestas questões, não faz mais que um exercício propagandístico já que se há alguma coisa inalterável, essa é: a política exterior gringa.
Os sistemas imperiáis passam por fases e - neste momento - está em fase de assentamento na zona quente do petróleo, portanto, a linha está marcada até que a calma se estableça segundo a sua vontade; posteriormente, poderá chegar a altura em que as diferentes necessidades políticas sejam ouvidas; mas, Espanha saltou da linha marcada e -como tal - fora da linha, do fío, o funâmbulo, precipita-se no vácuo e parte os ossos. Sabendo isto, certos argumentos políticos perdem credibilidade e não estamos na época de comer argumentos alheios tal como comemos a sopa. Espanha e em geral a esquerda da velha Europa, não sabe enfrentar-se ao Império; só sabe perder as batalhas antes do começo da espadeirada.
O Império gringo vive, talvez, uma fase determinante que se se prolonga no tempo e no espaço, pode provocar que os Abutres do deserto tenham carne para alimentar-se; no entanto, está na fase em que exige mais fidilidade, por isso, os seus aliados, os restantes membros do Império, ou caminham ou não caminham mas, não podem andar a dizer: agora vou e agora não vou; esse status é privilégio de poucos e também esses se guardam de não parecer mal. O Mundo é comandado pelo negócio e as guerras sempre foram fonte de negócio, poder e - talvez - luxúria; por isso, Espanha, agora, caminha, mansamente, olhando para as bermas do caminho esperando que alguma fada bondadosa a beije.
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