Um blog de Filipe Figueiredo

quinta-feira, maio 24, 2007

Ricardo Reis

Não tenhas nada nas mãos
Nem uma memória na alma,
Que quando te puserem
Nas mãos o óbulo último,
Ao abrirem-te as mãos
Nada te cairá.
Que trono te querem dar
Que Átropos to não tire?
Que louros que não fanem
Nos arbítrios de Minos?
Que horas que te não tornem
Da estatura da sombra
Que serás quando fores
Na noite e ao fim da estrada.
Colhe as flores mas larga-as,
Das mãos mal as olhaste.
Senta-te ao sol. Abdica
E sê rei de ti próprio.

2 Comments:

Blogger Daniela said...

Não deixes nada "por viver". Que a angústia de RR perante a mudança não seja contagiosa! ;)

7:37 p.m.

 
Anonymous Anónimo said...

maio... devagar, devagarinho, parado...

10:36 a.m.

 

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